Powell diz adeus à Fed (após combate à inflação e críticas de Trump)
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Chegou esta sexta-feira ao fim o segundo mandato de Jerome Powell como presidente da Fed, depois de ter sido nomeado por Donald Trump em 2018 e reconduzido por Joe Biden em 2021. Powell, que tem 73 anos, enfrentou vários ataques pessoais de Trump, que exigia cortes nos juros de forma mais drástica, mesmo com a inflação a manter-se acima da meta de 2%. Após um ciclo de subidas de juros que terminou em julho de 2023, para fazer face à inflação que surgiu no pós-pandemia e também devido à invasão da Ucrânia pela Rússia, a Fed apenas voltou a cortar as taxas diretoras em setembro de 2024, tendo-o feito mais duas vezes nesse ano. Em 2025, a Fed apenas voltou a mexer nos juros em setembro, reduzindo mais duas vezes em outubro e dezembro, e em 2026 tem estado em pausa, com as taxas inalteradas, numa altura em que o conflito no Médio Oriente fez subir os preços dos combustíveis. Em janeiro deste ano, a instituição foi alvo de uma investigação legal do Departamento de Justiça, sendo que Powell disse que a Fed estava a enfrentar uma ação judicial motivada pela sua decisão de não cortar as taxas de juro. Em causa está uma investigação devido aos custos acima do previsto nas obras de renovação do edifício-sede da Fed em Washington, embora o presidente do banco central considere que as investigações sejam motivadas pelas tentativas do Presidente Trump de o pressionar a abandonar o cargo e a concordar em acelerar os cortes nas taxas de juro. Powell defendeu que o procedimento "sem precedentes" assenta num "pretexto", e que a intimação faz parte da pressão contínua exercida pelo Presidente dos EUA sobre a instituição e declarou que não cederá. Entretanto, a Casa Branca teve de abandonar formalmente o caso depois de um juiz federal decidir que tinha motivação política e um senador republicano ameaçou não votar na nomeação de Kevin Warsh se o Departamento de Justiça não arquivasse o caso. Mesmo assim, Powell disse que continuará a servir no conselho de governadores até ter a certeza de que a independência da Fed está verdadeiramente restaurada. Jerome Powell disse que planeia permanecer no conselho da Fed "por um período de tempo a ser determinado", dizendo que os ataques legais "sem precedentes" do governo Trump colocaram em risco a independência do banco central do país. "Temo que esses ataques estejam a prejudicar esta instituição e colocar em risco as coisas que realmente importam para o público", disse Powell numa conferência de imprensa em abril. A decisão de Powell de permanecer no cargo - a primeira vez que um presidente da Fed permanecerá no conselho como membro do conselho desde 1948 - impede que Trump preencha uma vaga no conselho de sete membros do banco central com um nomeado da sua escolha. O responsável pode permanecer no conselho até janeiro de 2028, devido ao mandato que tinha enquanto governador. "Quer-se que as pessoas definam as taxas de juros para beneficiar o público em geral", disse Powell na última conferência de imprensa, "e se concentrem apenas nisso e ignorem as considerações políticas. Isso não é bipartidário, é apartidário." Um dos pontos de destaque do seu mandato foi a intenção de proteger o banco central da política, não tendo entrado em confronto direto com Trump nem comentado muitas das críticas que lhe fazia. "Não é um histórico imaculado, mas num contexto extremamente desafiador, teve um desempenho excecionalmente bom", disse David Wilcox, membro do Peterson Institute for International Economics e diretor de 'research' da Bloomberg Economics, à AP. Ao contrário de muitos dos seus antecessores, Powell não é um economista de formação, mas sim um advogado que também trabalhou no setor financeiro antes de ingressar no conselho de governadores da Fed em 2012, por nomeação de Barack Obama. Powell será sucedido por Kevin Warsh, de 56 anos, que regressa à instituição 20 anos depois de dar os primeiros passos como banqueiro central, sendo que aos 35 anos foi nomeado o governador mais jovem da história. Leia Também: Powell continua presidente da Fed. Sucessor ainda não fez juramento
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