Direita radical vai à frente nas quatro maiores economias europeias
Sapo
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A queda de Viktor Orbán na Hungria foi um revés para a direita radical europeia, mas ela singra noutros países com muito maior relevância. A queda de Viktor Orbán na Hungria foi um revés para a direita radical europeia, mas ela singra noutros países com muito maior relevância, como a Alemanha, o Reino Unido, França e Itália, surfando o crescente descontentamento com a incapacidade dos partidos do centro. O Alternativa para a Alemanha (AfD) ultrapassou em abril os democratas-cristãos (CDU) nas sondagens nacionais. A média calculada pelo Politico já dá 27% ao partido de extrema-direita, cinco pontos acima da CDU e 13 acima dos sociais-democratas. O AfD poderá mesmo estrear-se em setembro na liderança de um dos 16 bundesländer, com as projeções a apontarem para uma vitória folgada no pequeno estado da Saxónia-Anhalt, no leste do país. O crescimento recente do partido co-liderado por Alice Weidel e Tino Chrupalla está a ser atribuído, entre outros fatores, à mudança de discurso em relação a Donald Trump, salienta o Financial Times. Depois de Elon Musk ter entrado em modo virtual num comício do partido e o vice-presidente dos EUA, JD Vance, se ter encontrado com Alice Weidel, Donald Trump tem estado debaixo de fogo, entre criticas ao estilo “faroeste” e ter-se tornado o “Presidente da guerra”, defraudando os seus eleitores. Um discurso que cai especialmente bem junto do eleitorado da antiga Alemanha de Leste, onde o sentimento antiamericano ainda está enraizado. A ironia é que o político que o AfD agora desdenha é o mesmo que o está a ajudar politicamente. O partido também capitaliza a incapacidade de Friedich Merz para dar a volta à economia, com o impulso orçamental a ser debilitado pela subida do custo de vida e a elevada incerteza provocada pelo conflito no Médio Oriente. Algo muito semelhante acontece a mais de 900 km a noroeste de Berlim. A derrocada do Partido Trabalhista conheceu mais um episódio na semana passada, com uma pesada derrota nas eleições locais inglesas, onde perdeu mais de metade dos mandatos e dos municípios onde tinha maioria. No mesmo dia, averbou uma derrota histórica para o Plaid Cymru nas eleições parlamentares do País de Gales e perdeu cinco deputados nas da Escócia. O grande beneficiário foi o Reform UK de Nigel Farage, que conquistou o maior número de mandatos (1.454), crescendo 1.372 face às eleições anteriores. No País de Gales e na Escócia, elegeu os primeiros deputados: 34 e 17, respetivamente. Farage, que em 2019 lançou o Brexit Party, celebrou o resultado como “uma mudança histórica na política britânica”. O Reform UK também lidera as sondagens nacionais, com 25%, uma percentagem baixa mas folgada face aos 18% do Partido Conservador e os 17% do Trabalhista. Keir Starmer, que foi eleito primeiro-ministro há menos de dois anos com um resultado retumbante, está por um fio depois dos resultados das eleições locais e a rebelião de uma parte dos deputados do partido. O ministro da Saúde, Wes Streeting, demitiu-se na quinta-feira e deverá desafiar em breve a liderança de Starmer. Andy Burnham, presidente da câmara da Grande Manchester, conhecido como “Rei do Norte”, também pretende desafiar o líder trabalhista. Quando a alternância de centro-esquerda serve a mesma instabilidade política que a direita tradicional (Tories), os eleitores viram-se para os extremos. A chicana política está a produzir o mesmo resultado em França, onde a poll of polls do Politico mostra o Reagrupamento Nacional com 34% e a Nova Frente Popular, onde predomina a extrema-esquerda, com 24%. A Itália, já se sabe, foi o primeiro país do G7 onde a direita populista assomou ao poder. Uma coisa são sondagens, outra bem diferente é chegar à liderança de um governo. Mas se a maré não mudar, Giorgia Meloni não ficará sozinha, com tudo o que isso pode implicar para o futuro da Europa. Nota: Este texto faz parte da newsletter Semanada, enviada para os subscritores à sexta-feira, assinada por André Veríssimo. Há muito mais para ler. Pode subscrever neste link. Assine o ECO Premium No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso. De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história. Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
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