Entrevista: 'Como igreja, precisamos encarar o problema', diz pastora que viralizou falando de violência doméstica
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Entrevista: 'Como igreja, precisamos encarar o problema', diz pastora que viralizou falando de violência doméstica Helena Raquel, da Assembleia de Deus Vida na Palavra, atraiu atenção com defesa enfática de que mulheres evangélicas denunciem casos de agressão RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 15/05/2026 - 21:14 Pastora Helena Raquel defende denúncia de violência doméstica por mulheres evangélicas A pastora Helena Raquel, da Assembleia de Deus Vida na Palavra, viralizou ao defender que mulheres evangélicas denunciem violência doméstica. Em entrevista, ela enfatiza a responsabilidade da igreja em enfrentar o problema, criticando discursos que incentivam a permanência em relações abusivas. Raquel destaca a importância de diálogo nas igrejas e rejeita rótulos políticos, afirmando que a questão é humanitária. O discurso da pastora Helena Raquel, da Assembleia de Deus Vida na Palavra (ADPIV), conquistou as redes sociais, atraindo atenção da esquerda à direita, com a defesa enfática de que mulheres evangélicas vítimas de violência doméstica procurem a polícia para denunciar o agressor. Leia abaixo a entrevista da pastora ao GLOBO: O que levou a senhora a fazer a fala sobre a violência doméstica? Ela faz parte da Mensagem que preguei naquela noite, um tópico muito importante no texto para ser ignorado, um tema muito relevante para a Igreja, um clamor que precisávamos fazer. Imaginava que teria a repercussão que teve? Não, em nenhum momento imaginei isso. Mas me alegro se isso pode, de alguma forma, ajudar mulheres fora do círculo evangélico também. Foi inspirado em algum caso ou situação que você presenciou ou intermediou recentemente? Não, nenhum caso específico. Embora eu leia muitos casos que me são enviados por pessoas através da internet. Ao que atribui a repercussão da pregação sobre o tema? A vontade soberana de Deus e a raridade de uma exposição bíblica naquele texto e com todos os desdobramentos que teve. Para muitas pessoas a mensagem foi um farol trazendo direcionamento, uma vez que falou abertamente sobre duas dores avassaladoras: o abuso infantil e a violência contra a mulher. Acha que falta esse tipo de diálogo dentro das igrejas evangélicas? Nos falta avançar nesse diálogo, haja vista a urgência da questão, e também pela necessidade de reparar um discurso antigo e perigoso que indicava a espiritualidade da mulher ou da família como sua única forma de defesa diante do abuso e violência. Quando, na verdade, ela é a primária, mas não a única. Quando falamos isso publicamente fazemos um serviço necessário porque inúmeras pessoas não entenderam isso ainda. Avalia que há muitos casos de mulheres que sofrem agressões e permanecem casadas nas comunidades evangélicas? Independentemente dos números, porque sendo a igreja tão grande e espalhada pelo mundo eu não posso avaliar com segurança, há sim mulheres que sofrem agressões e permanecem casadas. Entendo que a maior parte delas não ouviu um conselho direto para permanecer, mas deixou de ouvir um conselho direto para não permanecer. Acha que há mais casos de violência contra a mulher dentro das comunidades evangélicas ou que isso infelizmente acontece da mesma forma em toda a sociedade? Acredito que isso infelizmente acontece com mulheres independentemente do credo, da religião. Mas isso não nos exime enquanto igreja da nossa responsabilidade de enfrentar esse problema, como muitos de nós temos feito. Acredita que há líderes religiosos dentro da Igreja Evangélica que não tratam as agressões como crime e incentivam mulheres a permanecerem com seus agressores em prol da família? Sim, acredito que sim, embora seja raro. Entendo que alguns o fazem baseado na ignorância sobre o tema e na esperança de que tudo se resolverá, havendo uma pequena fatia que o faz por egoísmo, colocando outros interesses acima da pessoa humana. Como orienta as mulheres de sua igreja a procederem caso relatem terem sofrido violência doméstica? Oramos com ela, acolhemos sua dor, ajudamos de forma imediata em alguma necessidade. E, imediatamente, lhe orientamos a denunciar o agressor, buscar um lugar seguro (algumas vezes voltando para suas famílias ou estado de origem) e a não acreditar que isso não se repetirá. É comum pastores e pastoras terem que intermediar essas situações? Sim, é comum. Inclusive, diante dos primeiros indícios de violência, como por exemplo agressões verbais, uma palavra pastoral firme costuma coibir os avanços e promover boas mudanças. Em nossas igrejas temos departamentos de casais e famílias com sucesso em muitos casos. Como vê a sua fala sendo usada dentro de uma disputa política? Lamento por isso, mas não permitirei que meu descontentamento me paralise. Sei que minhas motivações não são sobre disputas políticas, então seguirei cooperando como mulher, mãe e pastora para uma transformação tão necessária na nossa sociedade. E como viu o endosso de Janja e Michelle à fala da senhora? Vi com satisfação, diante da relevância de ambas e o alcance que possuem nas redes. Violência contra a mulher e abuso infantil são temas humanitários e independem de posições partidárias. Como vê as declarações que chamam a senhora de feminista? Diante do grande apoio que tenho recebido de pastores e igrejas, vejo as declarações feitas por um grupo de descontentes como uma tentativa desesperada de enfraquecer a grandeza da Mensagem, lançando rótulos fantasiosos sobre mim. A senhora se considera feminista? Não, eu não sou feminista. Chegou a ser procurada por políticos ou grupos políticos com convites para entrar na vida pública? Não, eu não fui procurada, nem recebi convites nesse sentido.
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