PF aponta como diferentes órgãos do governo do Rio foram usados para beneficiar Ricardo Magro e a Refit
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PF aponta como diferentes órgãos do governo do Rio foram usados para beneficiar Ricardo Magro e a Refit Ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) foi um dos alvos da operação da Polícia Federal desta sexta-feira RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 15/05/2026 - 22:21 PF Investiga Ex-Governador do Rio por Favorecimento à Refit e Bloqueia R$ 52 Bi em Bens A Polícia Federal investiga o ex-governador do Rio, Cláudio Castro, por supostamente usar o governo para beneficiar Ricardo Magro, dono da Refit. A operação, autorizada pelo STF, apura favorecimentos como leis de parcelamento de dívidas que beneficiariam a Refit. A PF bloqueou R$ 52 bilhões em bens e busca a prisão de Magro, que vive nos EUA. O ex-governador se declarou à disposição da Justiça. Alvo de busca e apreensão determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ontem, o ex-governador do Rio, Cláudio Castro (PL), é investigado pela Polícia Federal por suspeita de ter colocado a máquina administrativa estadual a serviço do empresário Ricardo Magro, dono da Refit, que teve sua prisão preventiva solicitada na operação. No despacho em que autorizou a Operação Sem Refino, o ministro do STF Alexandre de Moraes apontou Castro como autor de uma lei de parcelamento de dívidas de empresas que “se amoldava perfeitamente aos interesses” de Magro, e que foi sancionada apenas um mês depois de a Refit ter sido interditada pela Receita Federal. A investigação também levantou suspeitas sobre decisões de integrantes do governo Castro e de um desembargador afastado do Tribunal de Justiça do Rio, que teriam sido benéficas à refinaria de Magro. Na operação de ontem, a PF solicitou a inclusão de Magro na lista vermelha da Interpol, primeira etapa para sua prisão — já que ele vive nos EUA —, e bloqueou R$ 52 bilhões em bens de pessoas e empresas investigadas. No apartamento de Castro, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio, agentes apreenderam um tablet e o celular do ex-governador, cuja defesa informou que ele está “à disposição” da Justiça. “Sob a batuta de Cláudio Castro e mediante suas diretrizes, o Estado do Rio de Janeiro direcionou todos os esforços de sua máquina pública, em um verdadeiro engajamento multiorgânico em prol do conglomerado capitaneado por Ricardo Magro”, afirma a representação da PF que embasou a operação. ‘Ambiente convidativo’ A operação, autorizada por Moraes, apura indícios de ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de divisas por parte da Refit, empresa do ramo de combustíveis que tem histórico controverso no estado (leia mais na página 6). A PF apontou que as supostas práticas ilícitas da Refit só foi possível devido a um “ambiente totalmente convidativo para a perpetração de tais fraudes por agentes políticos, notadamente aqueles vinculados ao primeiro escalão” do governo estadual. Um dos exemplos citados pela PF foi a edição da lei complementar de “parcelamento de créditos tributários e não tributários”, apelidada por opositores de Castro como “Lei Ricardo Magro”. O projeto enviado por Castro permitia o parcelamento de dívidas de empresas com a Fazenda estadual, além do pagamento com até 95% de desconto, o que foi interpretado como favorável à Refit, que tem débitos de R$ 9,4 bilhões inscritos no governo do Rio. Meses antes da edição desta lei, em maio de 2025, Castro dividiu mesa com Ricardo Magro em um evento realizado em um hotel cinco estrelas de Nova York, com patrocínio da Refit. O episódio foi revelado pela revista Piauí. Em janeiro daquele ano, Castro havia nomeado como secretário estadual de Fazenda Juliano Pasqual, apontado pela PF como um nome mais próximo ao dono da Refit do que seus antecessores. Pasqual também foi alvo de buscas na operação de ontem. Para os investigadores, no entanto, uma das ações mais explícitas de favorecimento à Refit veio em outubro de 2025, quando o então procurador-geral do estado, Renan Saad, peticionou à Justiça do Rio pela desinterdição da refinaria, que havia sido alvo da Operação Cadeia de Carbono em setembro. Saad, escolhido ao cargo por Castro, argumentou à época que a interdição determinada pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) poderia “inviabilizar” o pagamento das parcelas de um acordo de recuperação judicial da Refit com o estado. O pedido de Saad foi feito à 5a Vara Empresarial do Rio — que negou a reabertura da Refit — uma semana antes de a Alerj aprovar, no dia 16 de outubro, o projeto de Castro que facilitaria a extinção de dívidas da refinaria. A PF acusou Saad de fazer “advocacia dos interesses da Refit”, em vez de “salvaguardar o erário fluminense”. Demitido do governo do Rio após a saída de Castro (leia mais na página 6), o ex-procurador-geral foi alvo de buscas ontem, e o STF determinou seu afastamento de funções públicas. A PF apontou ainda outra atuação suspeita envolvendo a Refit, no mesmo período, por parte do desembargador Guaraci de Campos Vianna. Após a primeira instância negar a reabertura da refinaria, Guaraci despachou no dia 27 de outubro em um recurso da própria Refit, e decidiu autorizar a “desinterdição total do parque industrial da refinaria”. No dia seguinte, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) suspendeu a decisão de Guaraci, mas ele ainda assim determinou o seguimento do processo, com realização de “perícia técnica de elevada complexidade” por um perito acusado de vínculos com a Refit. Braço no Judiciário Alvo de busca e apreensão da PF ontem, Guaraci já estava afastado de suas funções no TJ do Rio desde março, por decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O órgão apontou que o desembargador, no caso da Refit, “proferiu decisões manifestamente teratológicas”, jargão jurídico que se refere a algo tomado de forma ilegal ou contra o bom senso. Em 2019, o mesmo magistrado já havia sido afastado do cargo após indícios de que usou o plantão judiciário para conceder habeas corpus ao líder de uma milícia na Zona Norte do Rio. A operação de ontem, que teve ao todo 17 alvos, também mirou integrantes da Fazenda estadual e policiais federais e civis acusados de compor o “braço operacional” de defesa dos interesses Refit, seja facilitando a obtenção de licenças para o grupo de Magro ou atrapalhando concorrentes. Na casa de um dos alvos, o policial civil Maxwell Moraes Fernandes, a PF apreendeu uma caixa com mais de R$ 500 mil em dinheiro vivo. Em outro imóvel, o de Álvaro Barcha Cardoso, suspeito de atuar como operador financeiro da Refit, a PF apreendeu o equivalente a R$ 1,1 milhão em moeda estrangeira, armas e dois carros de luxo da marca Jaguar. O advogado Carlo Lucchione, responsável pela defesa de Castro, afirmou em nota que todos os atos do então governador “seguiram critérios técnicos e legais previstos na legislação, incluindo medidas ligadas à política de incentivos fiscais do estado”. A defesa do ex-governador disse ainda que sua gestão garantiu o pagamento de parcelas de um acordo de recuperação judicial da Refit que totalizaram R$ 1 bilhão. Em nota, a Refit afirmou que as “questões tributárias envolvendo a companhia estão sendo discutidas no âmbito judicial e administrativo”, e negou ter praticado irregularidades em busca de “vantagens tributárias”. O GLOBO não localizou as defesas dos demais citados.
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